quinta-feira, 15 de setembro de 2016

As Dicotomias Saussurianas e o Circuito da Fala

Caro amigo interlocutor,

É um prazer e uma alegria estar com você!

Na publicação de hoje, daremos continuidade às ideias de Saussure. Nesta postagem, introduziremos as Dicotomias Saussurianas, e falaremos também sobre o Circuito da fala.
No livro “Para compreender Saussure”, o professor Castelar de Carvalho expõe:

Hoje, mais de meio século depois do seu desaparecimento, Saussure é estudado com o respeito, o cuidado e a atenção que merecem os gênios. Todos quantos se aprofundam na pesquisa de suas postulações adquirem consciência da importância do Cours para a Linguística moderna e passam a compreender por que Saussure é considerado um divisor de águas no estudo científico da linguagem.              (CARVALHO, 1976, p. 20)

Como já dito, a Linguística Moderna é uma ciência cuja qual possui a Língua (Langue) como seu objeto de análise, de modo a investigar e estudar a comunicação e expressão entre comunidades linguísticas, utilizando o sistema de signos linguísticos.

De acordo com a informação acima e exemplos dados na postagem anterior, pode-se afirmar que o significante está intrinsecamente ligado ao significado do signo linguístico, tal qual uma folha de papel, a qual não pode ser furada de um lado sem ser furada do outro.

Sobre as antinomias (ou dicotomias), o próprio Mestre Genebrino afirma que “A linguagem é redutível a cinco ou seis dualidades ou pares de coisas” e ainda: “(...) o fenômeno lingüístico apresenta perpetuamente duas faces que se correspondem e das quais uma não vale senão pela outra” (CLG, p. 15)

Explanou-se na postagem anterior a noção geral da dicotomia “Langue X Parole”, e também “Significado X Significante”. Sendo assim, depreende-se a partir das citações acima que o conceito de dicotomia está relacionado à divisão de um conceito em duas partes, geralmente contrárias, “das quais uma não vale senão pela outra”.

Além destas, também existem outras antinomias, entre as quais algumas serão elucidadas:

SINTAGMA X PARADIGMA

Para Saussure há dois modos de funcionamento da linguagem, a combinação (relações sintagmáticas), e a seleção (relações associativas ou paradigmáticas), a partir disso os interlocutores escolhem as palavras e formam as sentenças combinando-as de forma correta, de acordo com o esquema abaixo:



Assim sendo, no eixo das relações existe uma sucessividade, visto que não se fala um item lexical ao mesmo tempo em que se fala outro; são pronunciados linearmente. E no eixo das associações há uma oposição distintiva, pois o falante utiliza o “material linguístico” disponível em sua mente para formar a sentença de maneiras diferentes. Há uma definição bastante didática para o termo, apresentada no “Pequeno Vocabulário de Linguística Moderna” (BORBA, 1976): “Paradigma é o conjunto de unidades suscetíveis de aparecer num mesmo contexto.”


SINCRONIA X DIACRONIA

No Cours de Linguistique Générale, Saussure afirma que “é sincrônico tudo quanto se relacione com o aspecto estático da nossa ciência; diacrônico tudo que diz respeito às evoluções” (CLG, p. 96)
A diacronia é considerada uma forma de estudo levando em conta a evolução histórica ao longo dos tempos. Por outro lado, o estudo sincrônico não leva em conta a História. Portanto, se o linguista realiza um estudo diacrônico, está levando em conta a relação de um fenômeno com ocorrências relacionadas a este fenômeno (anteriores ou posteriores). Mas caso o linguista se utilize da sincronia, fará apenas um “recorte” no estudo da língua (Sin – ao mesmo / Cromos – tempo).


CIRCUITO DA FALA
Levando em conta duas das principais Dicotomias Saussurianas (LÍNGUA X FALA / SIGNIFICADO X SIGNIFICANTE), pode-se entender o circuito da fala, que ocorre por meio de três processos sucessivos (FÍSICO / FISIOLÓGICO / PSÍQUICO), e para que se realize, é necessário que exista um falante A e B. Observe abaixo:


O falante A mentaliza um ponto de partida, um conceito, acompanhado de uma imagem acústica (processo psíquico), tal pensamento é transmitido pelo cérebro aos órgãos de fonação (processo fisiológico). Em seguida a fala é emitida por meio de ondas sonoras chegando ao ouvido do falante B (processo físico). E então, o circuito de repete, manifestando a comunicação.


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Até a próxima! #ContextualizandoLP

Para compreender Saussure: Introdução a Línguistica

Caro amigo interlocutor,

É um prazer e uma alegria estar com você!

No primeiro dia do segundo semestre do curso de letras da turma 2016, na aula da Profª Ms. Monique Sampaio foi introduzida a disciplina de Linguística Geral, ocasião em que se pôde conhecer melhor a língua, bem como suas diversas áreas de estudo (fonologia, morfologia, sintaxe e semântica).

Iniciaram-se sumariamente os estudos com uma linha do tempo, a qual demonstra toda a trajetória do estudo da linguagem humana, até a fundação da Linguística Moderna, instituída pelo mestre genebrino Ferdinand de Saussure.




 Como se vê acima, os Hindus foram os precursores no estudo da linguagem, através da composição de um extenso sistema de escrituras sagradas (VEDA). Em seguida, a civilização Grega inicia uma série de composições literárias, as quais eram escritas em norma culta. Foram os Gregos, portanto, responsáveis pelo que mais tarde será denominado “gramática normativa”, pois já havia um rígido discernimento entre “certo” e “errado” dentro da língua.

Ainda nesta sequência, desenvolveram-se os latinos, os quais originaram – a partir de sua Língua – outras línguas, entre elas a Língua Portuguesa. Distinguia-se os que falavam Latim Clássico e o Neolatim; este era considerado um idioma vulgar, o qual era falado entre o povo de classes sociais inferiores.

Posteriormente, ainda sobre o estudo da linguagem humana, estabeleceram-se a gramática normativa e comparativa, buscando analisar as padronizações da língua, e dirigir-se a um estudo comparado de línguas (p. ex.: a Língua Portuguesa faz parte da Gramática comparativa das línguas romanas). E então, a partir das ideias de Saussure (meados do século XX), surgiram novos conceitos sobre Língua e Fala (Langue X Parole), instituindo-se a Linguística Moderna.

Segundo Saussure, “a langue é uma soma de sinais depositados em cada cérebro, mais ou menos como um dicionário cujos exemplares, todos idênticos, fossem repartidos entre os indivíduos. Portanto, a Língua (langue) é sistemática e abstrata, porque está em potencial na nossa mente. Já a Fala (parole) é assistemática; a concretização da língua de forma individual. Conforme afirma Saussure:

É a fala (parole) que faz evoluir a língua (langue): são impressões recebidas ao ouvir os outros que modificam nossos hábitos linguísticos. (CLG, p. 27)

É importante ressaltar que durante seus estudos, Saussure fez apenas da Língua seu objeto de análise, uma vez que a Fala é heterogênea e individual sendo, portanto, variável para cada falante dentro de uma comunidade linguística. Sendo assim, Saussure define o signo linguístico como “a união do sentido (significado) e a imagem acústica (significante)”. O significado é sinônimo de conceito, está relacionado ao plano de conteúdo da palavra. E por sua vez, o significante (imagem acústica) não se dá apenas pelo som material, puramente físico, mas sim a impressão psíquica que se tem para cada som. Observe os exemplos abaixo:








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sexta-feira, 6 de maio de 2016

Teoria da Semiótica Peirceana

Caro amigo interlocutor,

É um prazer e uma alegria estar com você!

Hoje quero abordar um assunto muito interessante e importante, já tratado em uma postagem anterior: a semiótica. Antes, porém, quero ressaltar que a semiótica é a ciência dos signos; ou seja, de todas as formas de linguagem. Ou ainda: a ciência a qual estuda todas as formas de comunicação pelo homem, em suas mais variadas formas (oral, escrita, gestual, corporal, desenhada, etc). 

Dessa forma, é possível reafirmar a importância do tema, visto que por meio da semiótica encontramos maneiras de compreender o mundo. 

Há algumas postagens, abordei a semiótica Greimasiana, de linha francesa. E hoje, explanarei um pouco a respeito da Teoria da Semiótica Peirceana. Charles Sanders Peirce (1839-1914) foi um filósofo, pedagogista, cientista e matemático estadunidense, responsável por valiosas contribuições nessas áreas, bem como a semiótica.

Peirce auferiu, após anos de experiências, que os signos (essência da semiótica) podem ser classificados como sendo triádicos, pois o processo de contexto dado aos fenômenos ocorre em três partes: Primeiridade, Secundidade e Terceiridade.

Na primeiridade, estão presentes os fenômenos tênues, imediatos e, portanto sensações quase que imperceptíveis. Trata-se do entendimento superficial de algo. Por exemplo, quando vemos a bandeira na foto abaixo. Esta imagem é uma representação de algo; traz a lembrança de algo.




Na secundidade, há a percepção dos eventos exteriores, da matéria, da realidade concreta, na qual estamos constantemente em interação. É a compreensão mais profunda dos significados. Prosseguindo com o exemplo anterior, é a bandeira em si, o próprio objeto material, pois foi utilizado para captar a imagem que o representa     



E na terceiridade, está presente o interpretante, aquilo que foi criado na mente de quem vê o signo; é o significado daquilo que vemos. Nesta etapa, atribuem-se relações contextuais e pragmáticas, de modo que para cada indivíduo, o signo possui um significado diferente. No referido exemplo, trata-se da imagem e lembrança criada na mente de quem vê o Pavilhão Nacional: motivo de orgulho, alegria, ou vergonha, tristeza, etc.



Em suma, Peirce criou tal tríade, onde há a relação traçada entre o signo consigo mesmo; a relação do signo com seu objeto imediato; e deste para com o seu interpretante. Observe o esquema abaixo:



Dentro desta tricotomia, é importante destacar os três tipos de signos. São estes:

                          1) Ícone: objeto que nos faz lembrar algo.


Ex.: A fotografia de uma paisagem
       A escultura de um homem
     

          2) Índice: indica algo que já aconteceu ou irá acontecer.

                Ex.: onde há fumaça (indício causal), há fogo (conclusão a partir do sinal visualizado)
Céu com nuvens carregadas (indicando que irá chover)
                        
      
               3) Símbolo: envolve uma convenção social, por meio de uma denominação arbitrária entre o signo e o objeto representado.

                Ex.: Léxico de uma língua

                     A cor preta como símbolo do luto

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Coesão: funções anafórica e catafórica

Caro amigo interlocutor,

É um prazer e uma alegria estar com você!

Dando continuidade ao assunto da coesão, quero abordar as duas principais funções da coesão: anafórica e catafórica.

Para isso, peço que você assista um vídeo muito interessante, contendo uma breve explicação sobre o tema pelo professor Adriano Alves



Conforme afirmado pelo professor Adriano no início do vídeo, quando falamos em coesão, trata-se do "costurar" das frases, de modo formar uma ideia; ou seja, o sentido global do texto (coerência).

As duas funções apresentadas até aqui pertencem à coesão por referência. Além desta, também há as seguintes tipologias:

⇒ Coesão por substituição: são empregadas palavras e expressões que retomam termos já enunciados através da anáfora. Observe o exemplo:
Ex.: Os alunos foram advertidos pelo mau comportamento. Caso isso volte a acontecer, eles serão suspensos.
(ao invés de):
Os alunos foram advertidos pelo mau comportamento. Caso o mau comportamento volte a acontecer,os alunos serão suspensos.

⇒ Coesão por elipse: Ocorre por meio da omissão de uma ou mais palavras sem que isso comprometa a clareza de ideias da oração:
       Ex.:  Maria faz o almoço e ao mesmo tempo conversa ao telefone com a amiga.
                                                      (ao invés de):
Maria faz o almoço e ao mesmo tempo Maria conversa ao telefone com a amiga.

⇒ Coesão por conjunção: Esse tipo de coesão possibilita relações entre os termos do texto através do emprego adequado de conjunções:
Ex.:  Como não consegui ingressos, não fui ao show, contudo, assisti ao espetáculo pela televisão.

⇒ Coesão lexical: ocorre por meio do emprego de sinônimos, pronomes, hipônimos ou heterônimos. Observe o exemplo:
Ex.:  Machado de Assis é considerado o maior escritor brasileiro. O carioca nasceu no dia 21 de junho de 1839 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 29 de setembro de 1908. Gênio maior de nossas letras, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. 

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Até a próxima! #ContextualizandoLP

sábado, 30 de abril de 2016

Coesão e coerência: nuances que realçam a beleza do texto

Caro amigo interlocutor,

É um prazer e uma alegria estar com você!

Na postagem de hoje, explanarei um pouco sobre um tema que é abordado parcialmente enquanto estamos na escola, e que é de grande importância para toda a vida, visto que se relaciona diretamente com as construções textuais: a coesão e a coerência.

Quando abordamos o tema dos fatores da textualidade, falei rapidamente sobre o tema, por meio de uma comparação: se pensássemos em um campo de futebol, classificaríamos a coesão como sendo os jogadores; ou seja, a estrutura de ideias; a conexão entre o todo, e a coerência como sendo o estádio em si, algo global; a totalidade de sentido. Ainda de forma didática, pode-se pensar na coesão como sendo a estrutura de conexão entre frases através de determinados recursos linguísticos, de modo proporcionar uma harmonia entre elas, bem como uma sequência lógica ao texto. Esta sequência lógica é a própria coerência.

Por isso, alguns acabam confundindo suas funções e denominações, ou até mesmo considerando como sendo iguais, com a mesma finalidade dentro do texto, mas não é bem por aí. Existe tal diferença, conforme explicado acima.



Como já citados anteriormente, os recursos linguísticos são palavras necessárias para trazer a coesão ao texto, podendo indicar ideia de: argumentação, conclusão, concessão, adversidade, constatação, explicação etc. Cabe ao autor do texto saber o momento certo de utilizar tais conectivos, dependendo do contexto e o assunto em questão, de modo aprimorar a construção textual e manter uma linguagem polida e diferenciada, para enriquecer o texto.

Portanto, para que ocorra a coesão, existem alguns fatores que devem ser seguidos para a boa formação de uma sucessão lógica do texto:

  •          Ordem de palavras (estruturar o texto numa sequência de ideias)

          Ex: Cinema ao fui eu  X                 Eu fui ao cinema
  •       Concordância entre palavras (Gênero, número, grau, escolha lexical, pontuação)
  •         Estabelecer relações entre as frases e entre os parágrafos, por meio dos conectivos

          Ex: Ele estava encarregado, sobretudo de dois assuntos (ÊNFASE, CERTEZA)

               O aquecimento global tem gerado graves problemas ambientais, da mesma forma, a poluição tem causados sérios problemas de saúde a população urbana. (COMPARAÇÃO, SEMELHANÇA)

  •          Revisão do texto, sob três aspectos

a)      Apresentação da ideia;
b)      argumentação, explicação, exemplificação;
c)      conclusão.


Contudo, é importante ressaltar que um texto precisa ser sempre inteligível, ou seja, precisa ser coerente para ser compreendido, mas não precisa, necessariamente, ser coeso ou repleto de conectivos. Observe o exemplo abaixo:
Menino venha pra dentro, olhe o sereno! Vá lavar essa mão. Já escovou os dentes? Tome a bênção a seu pai. Já pra cama!
Onde é que aprendeu isso, menino? Coisa mais feia. Tome modos. Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência.
De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desça daí, menino! Me prega cada susto... Pare com isso! Jogue isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que você andou arranjando? Quem lhe ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é gente para ficar andando com você.
Avise a seu pai que o jantar está na mesa. Você prometeu, tem de cumprir. Que é que você vai ser quando crescer? Não, chega: você já repetiu duas vezes. Por que você está quieto aí? Alguma você está tramando... Não ande descalço, já disse! Vá calçar o sapato. Já tomou o remédio? Tem de comer tudo: você acaba virando um palito. Quantas vezes já lhe disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! Seu pai está dormindo. Pare com essa correria dentro de casa, vá brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí. Peça licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder a sua irmã? Se não fizer, fica de castigo. Segure o garfo direito. Ponha a camisa pra dentro da calça. Fica perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu dou. Depois eu deixo. Depois eu levo. Depois eu conto.
Agora deixa seu pai descansar - ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para o seu bem. Olhe aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não, filhinho, mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais.
Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah, é assim? Pois você vai ver só quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junte a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda é muito pequeno para saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cale essa boca! Você precisa cortar esse cabelo.
Sorvete não pode, você está resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim com sua mãe. Se você comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros hão de dizer? Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu lhe dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro para jogar fora? Tome juízo, menino.
Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos? Agora não, que eu tenho o que fazer. Não fique triste não, depois mamãe dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, que está na hora de dormir. Agora dorme, filhinho. Dê um beijo aqui - Papai do Céu lhe abençoe. Este menino, meu Deus...
Menino, de Fernando Sabino.


Você deve ter observado que o texto de Fernando Sabino é um exemplo de texto coerente, mas sem coesão. Há várias frases soltas, sem elementos que as conectem, mas ainda assim é um texto perfeitamente compreensível. Isso acontece porque a coesão não é condição necessária nem suficiente da coerência, pois a coerência não está no texto, mas sim nos sentidos construídos pelo leitor.

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Até a próxima! #ContextualizandoLP

terça-feira, 5 de abril de 2016

Teoria da Semiótica Greimasiana

                    

Caro amigo interlocutor,

É um prazer e uma alegria estar com você!

Hoje, quero trazer um tema muito cativante e intrigante, que está presente no nosso dia a dia, sempre intrínseco ao discurso: A Teoria da Semiótica Greimasiana. Mas, antes de nos aprofundarmos neste modelo, quero ressaltar que é substancial entender que o objeto de estudo da semiótica não são os signos em si, mas sim os sistemas semióticos, uma vez que o conceito da semiótica é tido como a teoria da significação.

Algirdas Julien Greimas (1917-1992) foi um famoso linguísta francês, que colaborou eficazmente para o estudo da linguística, fundando a Escola de Semiótica de Paris. Greimas ficou bastante conhecido pelo seu modelo de semiótica da narratividade, que se baseia no estudo do discurso com base na ideia de que esta estrutura se manifesta em qualquer tipo de texto.

Explicando de uma maneira simples, trata-se de uma inter-relação entre sujeitos numa narrativa, que se dá por eixos diferentes – do querer, do dever, do saber e do poder – essa relação se dará através de um acordo, como uma assinatura de “contrato de prestação de serviços” onde cada parte se obriga a cumprir com suas funções.

O sujeito destinador – doravante denominado S1 – é quem manipula um segundo sujeito – doravante denominado S2 – motivando-o a realizar uma ação, de modo atingir o objetivo do S1, que é o seu objeto de valor (não necessariamente um objeto material). Essa manipulação se dá por meios distintos, podendo ser uma sedução, uma intimidação, uma provocação ou uma tentação.

Supondo que em uma determinada situação, um professor queira muito que um aluno se esforce para ter um bom desempenho em sua avaliação. Portanto este professor, conhecedor da personalidade e interesses de seu aluno, pode seduzi-lo com palavras doces, enaltecendo suas boas características (sedução); mas também pode obrigá-lo a estudar, ameaçando-o de deixar de recuperação ou até reprová-lo caso obtenha resultados insatisfatórios (intimidação); também pode de certa forma afrontá-lo e desafiá-lo, duvidando do seu potencial para que o aluno se sinta motivado a realmente provar o contrário (provocação); ou ainda o professor faz um acordo com o aluno, prometendo-lhe algum objeto de valor material caso consiga ir bem nesta avaliação – um chocolate, uma caneta nova, etc – este último tipo de manipulação é tido como tentação.

Após a manipulação, temos a fase em que o S2 recebe um saber e um poder para executar a ação designada pelo S1, a execução desta ação, e a finalização, onde ambos os sujeitos recebem um castigo ou uma recompensa, por assim dizer, a última fase em que se apresentam os resultados de tal ação, podendo ser positivos ou negativos. Tais fatores são denominados respectivamente: competência, performance e sanção.

Para melhor entendimento, prosseguirei com o exemplo do professor e do aluno, onde aquele além de motivar este a esforçar-se para a prova, provê uma competência para o aluno: dá aulas, explicações dos conceitos, revisa o conteúdo por meio de exercícios, etc. E então, o aluno (S2) faz a performance, realizando a avaliação. Após isto, ocorre a sanção, podendo ser positiva ou negativa, pois não se tem certeza absoluta acerca do desempenho do aluno.

Cabe lembrar que ambos os sujeitos (S1 e S2) não necessariamente são individuais (podem ser coletivos) e também podem ser tanto seres inanimados quanto animados.

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Até a próxima! #ContextualizandoLP

domingo, 3 de abril de 2016

Contextualizando os fatores da textualidade

Caro amigo interlocutor,

É um prazer e uma alegria estar com você!

Hoje, convido-lhe para falar de um assunto fascinante! Um entre os infinitos dentro do nosso tão querido idioma: “Os fatores da textualidade”


Caso você não saiba, gostaria de informá-lo previamente que os registros linguísticos não se dão apenas através deste modo de comunicação que estamos realizando. Ou seja, quando falo de texto não devo considerar apenas o texto escrito, visto que em nosso cotidiano estamos decodificando diversas mensagens – verbais e não verbais – e estas podem ser consideradas como textos.

Em suma, portanto, a palavra texto pode ser definida como uma unidade de linguagem em uso, cumprindo uma função sociocomunicativa.

Dentro disso, é possível ampliar nossa visão a partir do que entendemos como texto. Mas, dentro da análise textual, pode-se destacar alguns fatores essenciais para a melhor compreensão de um texto. Os dois primeiros são a coesão e a coerência (fatores linguísticos). Didaticamente falando, podemos designar a coesão como sendo a estrutura das palavras e frases, de modo haver harmonia entre elas, e a coerência é o texto como um todo; o “costurar” das frases e ideias, formando o texto. Fazendo uma analogia, seria como um campo de futebol: a coerência é o estádio em si, e a coesão são os jogadores; os elementos que compõem toda a estrutura de ideias.

Além deste, existem os fatores pragmáticos do texto, que são:    
  •          Intencionalidade
  •      Aceitabilidade
  •      Informatividade
  •      Intertexualidade
  •      Situacionalidade

O fator “intencionalidade” trata, como o próprio nome diz, das ideias e pensamentos do autor ao escrever o texto. “Quais são suas intenções?” “Qual foi a ideia central em mente na elaboração de tal texto?” “O que ele deseja transmitir ao leitor?”. Essas são algumas  questões-chave que podem ser feitas para melhor interpretação. Sobretudo, os recursos que ele utilizou para sua construção textual, com a finalidade de convencer, entreter, emocionar, informar, etc.

A aceitabilidade compreende o “recebimento” do texto por parte do leitor, não no sentido de aprovação ou reprovação, mas sim de captar a mensagem, os pressupostos e os juízos de valor inseridos no texto pelo autor, porém de certa forma intrínsecos no texto.

No fator informatividade, considera-se o equilíbrio entre informações previsíveis e imprevisíveis no texto. Como exemplo, podemos pensar no Romantismo, os diversos romances europeus em forma de folhetins do século XIX, onde havia praticamente um roteiro de acontecimentos – início da história, conflito e superação – e geralmente os mesmos personagens, entre os “mocinhos” e “heróis”. Para reverter este quadro, o autor deve saber incrementar os dois elementos, de modo que haja interesse por parte do leitor.

A intertextualidade pode ser tida como uma “conversa” entre textos, ou seja, utilizar-se de outros textos dentro de um texto, de modo reforçar argumentos, estruturar ideias, ilustrar alguns fatos, ou apenas enriquecer e acrescentar atributos ao texto. Na postagem anterior, há um vídeo explicativo sobre esse tema muito bem elaborado pelo Professor Pasquale.

E por ultimo, a situacionalidade, que aborda a pertinência, relevância, contexto e adequação da informação contida no texto, por isso, este fator orienta tanto a produção quanto a recepção da construção textual.

Para você, professor, sugiro que ao lecionar uma aula sobre este assunto utilize um texto que seja cativante, intrigante, de modo despertar o interesse dos alunos. Como forma de fixação do conteúdo, você pode pedir que façam uma análise sobre o texto apresentado. Um exemplo básico, podendo ser uma crônica curta, ou as tradicionais fábulas, que ensinam juízos de valor. Mais tarde, você também pode solicitar que eles escrevam seu próprio texto, considerando todos os fatores da textualidade. Como sugestão, apresento a fábula da Lebre e da Tartaruga: 

"Um dia, uma Lebre ridicularizou as pernas curtas e a lentidão da Tartaruga. A Tartaruga sorriu e disse: "Pensa você ser rápida como o vento; Mas, acredito que Eu a venceria numa corrida."
A Lebre claro, considerou aquela insinuação como algo impossível de acontecer, e aceitou o desafio na hora.
Convidaram então a Raposa para servir de juiz, escolher o trajeto, e o ponto de chegada.
E no dia marcado, do ponto inicial, partiram juntos.
A Tartaruga, com seu passo lento, mas firme, determinada, concentrada, em momento algum, parou de caminhar rumo ao seu objetivo.
Mas a Lebre, confiante de sua velocidade, despreocupada com a corrida, deitou à margem da estrada para um rápido cochilo.
Ao despertar, embora corresse o mais rápido que suas pernas o permitissem, não mais conseguiu alcançar a Tartaruga, que já cruzara a linha de chegada, e agora descansava tranquila num canto."

Moral da História:

Ao trabalhador que realiza seu trabalho com zelo e persistência, o êxito é inevitável...

Caso queira, faça suas considerações pelos comentários.
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